Concordância ideológica (Silepse)

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Ao enfatizarmos sobre as demarcações concebidas pela gramática normativa, constatamos quão extrema é a relação de dependência entre os elementos que as constituem. E por assim dizer, defrontamo-nos com um típico caso representativo – A silepse, ora concebida como uma figura de sintaxe ou de construção, pertencente à estilística, ser alvo de estudo da concordância verbal – modalidade inerente à sintaxe.

Postula-se como característica marcante do termo “concordância”, o fato de o verbo concordar com o termo expresso (quase sempre com o substantivo). Contudo, em se tratando da concordância ideológica ou irregular, esta mesma concordância se efetiva com a ideia expressa – ocorrência linguística a qual se atribui à silepse, como pontuado anteriormente. Aparentemente, ela denota certa estranheza aos olhos do emissor, mas a verdade é que por pertencer a uma figura de linguagem, o não convencionalismo, sem sombra de dúvidas, revela sua palavra de ordem. Assim sendo, o sentido lógico, formal, cede lugar àquele referente ao instinto intencional do autor, cujo objetivo é nada mais nada menos que o de realçar a mensagem.

Trocando por outras palavras, digamos que ele é condicionado a colocar um verbo ou adjetivo no plural não porque o sujeito ou substantivo possua tal forma, mas pelo fato de significarem isso. Diante do exposto, resta-nos conhecer um pouco mais acerca da forma como a silepse se torna evidente mediante um determinado contexto linguístico. Eis os seguintes casos:

* Silepse de número – Ocorre quando a concordância se faz com o número gramatical implícito.

Ex: Toda aquela multidão gritavam por melhorias na saúde pública.

Constatamos que a concordância foi feita com a ideia (a de um conjunto de pessoas), não com o termo expresso sob sua forma singularizada (multidão).


* Silepse de gênero – Manifesta-se pela concordância que se faz com o gênero gramatical subentendido.

Ex: Vossa Excelência sentiu-se incomodado com a falta de receptividade por parte dos empresários.

Aqui, temos que o adjetivo em vez de se revelar no feminino, adquiriu a forma masculina.

* Silepse de pessoa – Ocorre quando a concordância se dá pela pessoa gramatical implícita, conferida pela ideia de que o sujeito também se inclui no discurso.

Os brasileiros somos todos patriotas.

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