Há crase nas locuções adverbiais?

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Em algumas locuções adverbiais, embora o uso da crase não seja obrigatório, usa-se para eliminar as ambiguidades, por exemplo, lavar a mão ou à mão

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A crase deve ser usada em locuções adverbiais formadas por palavras femininas. Entretanto, quando as locuções indicam circunstâncias, não há consenso entre os gramáticos. Uns dizem que a crase não deve ser utilizada, enquanto outros dizem que seu uso é facultativo.

A crase é a fusão do “a” preposição com o “a” artigo. Portanto, só há ocorrência de crase quando o verbo ou o nome pedir preposição e o substantivo for feminino. O acento que indica que houve fusão entre o artigo e a preposição é o acento grave (`).  

Veja alguns exemplos:

  1. No final da rua, vire à esquerda.
  2. Às vezes é preciso esperar.
  3. À medida que o tempo passa, as pessoas ficam mais experientes.
  4. O barco ficou à deriva até ser resgatado.

Nas expressões adverbiais a pé, a cavalo, a sangue-frio, a lápis, etc., o uso da crase não é permitido por uma questão óbvia, as palavras que formam as expressões são masculinas. Logo, não há a ocorrência de crase.

Acompanhe os exemplos:

  1. Prefiro ir a pé.
  2. A prova não pode ser feita a lápis.

A locução adverbial a distância tem gerado polêmica. Isso ocorre porque algumas gramáticas dizem que a crase só deve ser usada quando a palavra distância estiver determinada. Veja o exemplo:

  1. A melhor praia fica à distância de 30 km.

No exemplo, a palavra distância está especificada, portanto, ocorre a crase. No entanto, há momentos em que a palavra distância aparece sem que nada a determine. Analise:

  1. O menino estuda a distância.  
  2. Eu escrevo a distância.
  3. O ensino da faculdade é a distância.

Nesses casos, gramaticalmente, não existe justificativa para o uso da crase. Entretanto, se a análise for semântica, ou seja, voltada para a análise do significado, seu uso passa a ser recomendado, já que a presença da crase elimina as ambiguidades. Acompanhe:

  1. A matéria estudada pelo menino chama-se distância ou ele não estuda em uma instituição física?
  2. Eu escrevo sobre a distância ou escrevo longe das pessoas?
  3. A faculdade ensina sobre distância ou é o ensino que acontece de longe?

Todos sabem que um texto precisa ser claro, portanto, todas as possibilidades de ambiguidade (duplo sentido) devem ser eliminadas. Pensando nisso, alguns estudiosos já defendem o uso da crase com a palavra distância, ainda que esta não esteja especificada, pois seu uso elimina a possibilidade de dupla interpretação. Veja os exemplos:

  1. O menino estuda à distância.
  2. Eu escrevo à distância.
  3. O ensino da faculdade é à distância.

A presença da crase não permite duplo sentido. Percebeu? Agora, com ela, fica claro que tanto o ensino quanto o estudo e a grafia são feitos distantes do local.    

Outras expressões que trazem dúvidas são as que vêm acompanhadas de adjuntos adverbiais de instrumento.  Não há justificativa para o uso da crase, no entanto, sua ausência gera duplo sentido. Por isso, seu uso é recomendado.  Além desses adjuntos, há algumas expressões que também pedem o uso da crase para evitar a ambiguidade. Veja:

  1. Bateu à máquina.
  2. Cortou à faca.
  3. Lavou à mão.
  4. Combateremos à sobra.

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