Lygia Fagundes Telles

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Lygia Fagundes Telles é uma das maiores representantes do movimento pós-modernista da Literatura brasileira

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Lygia Fagundes Telles nasceu no dia 19 de abril de 1923, em São Paulo. É filha do delegado e promotor público Durval de Azevedo Fagundes e da pianista Maria do Rosário Silva Jardim de Moura. Lygia passou sua infância em várias cidades do interior e seu interesse pela literatura começou ainda na adolescência. Aos 15 anos, publicou seu primeiro livro, Porão e Sobrado, após a separação dos pais.

Em 1941, concluiu sua formação em Educação Física, na Universidade de São Paulo, e iniciou seus estudos em Direito na Faculdade do Largo de São Francisco. Apesar de duas formações distintas, sua verdadeira paixão é a literatura.

Sua estreia oficial na literatura ocorreu em 1944, com a publicação da coletânea de contos intitulada de Praia Viva. Em 1947, casou-se com o jurista Goffredo Telles Júnior, com quem teve um filho, em 1954, chamado Goffredo da Silva Telles Neto. A primeira união de Lygia chegou ao fim em 1960.

Em 1962, casou-se com o cineasta Paulo Emílio Salles Gomes, com quem realizou diversos trabalhos artísticos, como a adaptação do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para o cinema.

Por sua vasta produção literária, Lygia Fagundes Telles é considerada uma das maiores romancistas e contistas da Literatura brasileira. No ano de 2016, aos 92 anos, Lygia Fagundes Telles é a primeira mulher brasileira a ser indicada ao Prêmio Nobel de Literatura.

Produção literária de Lygia Fagundes Telles

Lygia Fagundes Telles é uma das maiores representantes do movimento pós-modernista no Brasil. O estilo literário de Lygia é caracterizado por explorar, intimamente, a psicologia feminina e por representar a vida nos centros urbanos.

Em 1982, Lygia foi eleita para a Academia Paulista de Letras. Em 1985, tornou-se a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 1987, foi eleita para a Academia das Ciências de Lisboa. Entre os muitos prêmios recebidos pela escritora, destacam-se:

  • Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, em 1949;

  • Prêmio do Instituto Nacional do Livro, em 1958;

  • Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, por "Verão no Aquário", em 1965;

  • Prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras, em 1973;

  • Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do livro, com a obra "As Meninas", em 1974, e com a obra "Invenção e Memória", em 2001;

  • Prêmio Camões recebido no dia 13 de outubro de 2005, em Porto, Portugal;

  • Indicação ao Prêmio Nobel de Literatura, em 2016.

Leia o texto abaixo e conheça um dos contos mais apreciados pelos leitores de Lygia Fagundes Telles:

A disciplina do amor

Foi na França, durante a Segunda Grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.

Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao posto de espera. O jovem morreu num bombardeio mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.

Todos os dias, com o passar dos anos (a memória dos homens!), as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina.

As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?…Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.

(TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor: memória e ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1980.)

Algumas obras de Lygia Fagundes Telles

  • Porão e Sobrado, contos, 1938

  • Praia Viva, contos, 1944

  • Ciranda de Pedra, romance, 1954

  • Histórias do Desencontro, contos, 1958

  • Histórias Escolhidas, contos, 1964

  • O Jardim Selvagem, contos, 1965

  • Antes do Baile Verde, contos, 1970

  • As Meninas, romance, 1973

  • Seminário dos Ratos, contos, 1977

  • A Disciplina do Amor, contos, 1980

  • Mistérios, contos, 1981

  • Venha Ver o Por do Sol e Outros Contos, 1987

  • A Noite Escura e Mais Eu, contos, 1995

  • Passaporte para a China, contos, 2011

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