Primeira fase do modernismo brasileiro

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Manuel Bandeira, Mário e Oswald de Andrade foram os precursores do modernismo na literatura brasileira *

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A primeira fase do modernismo brasileiro sacramentou as renovações no campo da arte e da literatura iniciadas no início do século XX com os pré-modernistas. Na literatura de Lima Barreto, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha, por exemplo, já era possível identificar um menor apego ao cânone literário, além de uma maior preocupação com o desenvolvimento de uma literatura socialmente engajada. A literatura brasileira tomou novos rumos, e o legado dos escritores parnasianos ficou definitivamente para trás.

Até 1922, ano da realização da emblemática Semana de Arte Moderna, a literatura brasileira era essencialmente academicista e influenciada pelos moldes europeus. O parnasianismo era a estética literária vigente, não havia uma cultura acadêmica nacional, com linguagem e conteúdo temático que reproduzissem a realidade do brasileiro comum. Podemos dizer que os primeiros modernistas deram o “grito de independência” cultural que ecoaria por décadas, modificando drasticamente o fazer literário no Brasil. Depois deles, a forma e o ritmo, elementos tão apreciados pela literatura clássica, não seriam mais uma obrigação: estava instituído o verso livre e o combate à arte tradicional.

Erro de português 

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

(Oswald de Andrade)

Dizer que os primeiros modernistas “combatiam” a arte tradicional não é uma força de expressão. Havia, de fato, o interesse em romper drasticamente com qualquer forma de cultura que não fosse construída sobre bases nacionais: esse era o projeto da fase heroica do modernismo, cujos principais representantes foram Manuel Bandeira, Mário e Oswald de Andrade, esse último considerado o mais radical da chamada tríade modernista. Foram deles os principais esforços para a realização da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que reuniu um grupo de artistas novos e empenhados em desvencilhar a arte produzida no Brasil da cultura tradicional europeia.

A Semana, que reuniu, além dos primeiros escritores modernistas, grandes nomes das artes plásticas, entre eles Anita Mafaltti, Di Cavalcanti e Brecheret, foi o ponto de encontro das várias tendências artísticas que desde a I Guerra vinham tentando firmar-se em São Paulo e no Rio de Janeiro. Graças ao evento realizado entre os dias 13 e 18 de fevereiro no Teatro Municipal de São Paulo, o modernismo brasileiro ganhou uma plataforma que possibilitaria sua consolidação. Após a realização da Semana de Arte Moderna, várias publicações – as chamadas revistas literárias – e manifestos foram lançados, cujos objetivos eram divulgar as propostas modernistas.

O marco cronológico da geração heroica foi o ano de 1930, período em que surgiram escritores, entre eles Carlos Drummond de Andrade, que iniciaram uma poética com novos elementos estéticos, mas irremediavelmente influenciada pela herança dos modernistas de 1922. É impossível conceber a arte brasileira sem creditar os esforços dos precursores do modernismo, cujos ideais estão presentes em toda literatura produzida durante o século XX até a literatura produzida nos dias de hoje. Graças aos modernistas, que apontaram os caminhos para a construção de uma cultura menos europeizada e europeizante, nasceu a autêntica literatura brasileira.

* A imagem que ilustra o artigo foi criada a partir das capas dos seguintes livros:

Macunaíma, Mário de Andrade; Memórias Sentimentais de João Miramar, Oswald de Andrade (Editora Globo); A cinza das horas, Manuel Bandeira (Global Editora).

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