Simbolismo no Brasil

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O Simbolismo no Brasil foi representado, principalmente, por Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens. A temática simbolista apoia-se na subjetividade *

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Musselinosas como brumas diurnas 
descem do ocaso as sombras harmoniosas, 
sombras veladas e musselinosas 
para as profundas solidões noturnas. 
Sacrários virgens, sacrossantas urnas, 
os céus resplendem de sidéreas rosas, 
da Lua e das Estrelas majestosas 
iluminando a escuridão das furnas. 
Ah! por estes sinfônicos ocasos 
a terra exala aromas de áureos vasos, 
incensos de turíbulos divinos. 
Os plenilúnios mórbidos vaporam ... 
E como que no Azul plangem e choram 
cítaras, harpas, bandolins, violinos ...

(Sinfonias do Ocaso – Cruz e Sousa)

O poema que você leu pertence a Cruz e Sousa, principal poeta simbolista brasileiro. O Simbolismo constituiu-se na Europa, principalmente na França e na Bélgica, alcançando a poesia brasileira no final da década de 80, século XIX.

Ao contrário do que aconteceu na Europa, onde o Simbolismo contou com maior destaque em relação ao Parnasianismo, no Brasil o movimento ficou à sombra da poesia parnasiana, que ganhou a simpatia das camadas mais cultas do país, sobretudo em virtude do preciosismo da métrica e linguagem. Embora não contasse com o mesmo prestígio, a poesia simbolista brasileira deixou uma contribuição significativa, prenunciando os movimentos literários do século XX. Seus principais representantes foram Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens.

Apesar da estética simbolista ser oposta à estética parnasiana, especialmente no que se refere à ideologia, ambas se preocupavam com a linguagem e com o rigor formal, sendo possível encontrar algumas influências parnasianas nos versos do poeta Cruz e Sousa. O simbolismo nasceu do descontentamento de escritores contrários ao Naturalismo e ao Realismo, que pregavam uma visão materialista e cientificista da vida defendida pelo Positivismo. Os primeiros simbolistas apresentavam uma estética marcada pela subjetividade, elemento presente no misticismo e na sugestão sensorial, diametralmente oposta aos valores defendidos pela estética realista.

No Brasil, as inovações estiveram relacionadas com o plano temático e com o plano formal, com uma poesia permeada pelo subjetivismo, representado pelos sofrimentos universais, o amor, a morte e a religiosidade. Todos esses assuntos foram expostos através de um cuidadoso trabalho com a linguagem, privilegiando o uso de figuras de linguagem, sobretudo da sinestesia, além de versos com elaboradas construções sonoras, tendo por finalidade conferir musicalidade e ritmo às palavras:

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava longe do céu...
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar. . .
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma, subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus de Guimaraens)

Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens foram os responsáveis por incorporar a estética simbolista na Literatura brasileira. Embora o Realismo tenha supostamente chegado ao fim — de acordo com a divisão arbitrária proposta pelas Escolas Literárias — no ano em que os livros Missal e Bróqueis, ambos de Cruz e Sousa, foram publicados (era o ano de 1893), podemos dizer que o Simbolismo conviveu paralelamente ao Realismo, mesmo porque obras importantes de Machado de Assis, como Dom Casmurro e Esaú e Jacó, foram publicadas já nos primeiros anos do século 20.

Não alcançado na Literatura brasileira a mesma relevância que alcançou na Literatura europeia, infelizmente o Simbolismo no Brasil não pôde romper com a Literatura oficial, já que apresentava uma temática que parecia distanciar-se dos problemas sociais enfrentados àquela época. Porém, podemos afirmar que o Simbolismo abriu caminhos para o Modernismo, que notadamente foi influenciado pelas tendências irracionalistas desse movimento literário.

*Nascido em Bourdeaux, na França, no ano de 1940, Bertrand-Jean Redon, mais conhecido como Odilon Redon, foi um importante pintor Simbolista.

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