Vida e obra de Lima Barreto

Home / Literatura / Literatura Brasileira / Escolas literárias / Vida e obra de Lima Barreto

Fotografia de Lima Barreto tirada durante os três dias em que esteve internado no Hospício Nacional, em 1919

Curtidas 0

0

Compartilhe

Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa.”

Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 13 de maio de 1881. Nos 133 anos do escritor, considerado um dos mais importantes da Literatura brasileira, o sítio Português traz para você um pouco da vida e obra de Lima Barreto.

A importância de Lima Barreto extrapola os limites literários: foi um dos poucos de nossa Literatura a combater o preconceito racial e a discriminação social do negro e do mulato. Filho de família humilde, porém de bom nível cultural, contou com a proteção do Visconde de Ouro Preto, graças a quem conseguiu ingressar no curso de Engenharia, algo improvável para alguém com as mesmas origens. Perdeu a mãe, a professora primária Amália Augusta, aos seis anos e, em virtude da doença mental que acometia o pai, Lima Barreto precisou abandonar a faculdade para sustentar a família, madrasta e irmãos. Todos esses fatores influenciaram em muito o estilo do escritor que, embora seja considerado uma espécie de patrono dos autores boêmios e rebeldes, além de ser muito lembrado pelos constantes problemas com o alcoolismo e distúrbios mentais, deixou uma obra literária digna de leitura e admiração.

Cartaz do filme Policarpo Quaresma – Herói do Brasil, baseado na obra de Lima Barreto, Triste fim de Policarpo Quaresma*
Cartaz do filme Policarpo Quaresma – Herói do Brasil, baseado na obra de Lima Barreto, Triste fim de Policarpo Quaresma*

Lima Barreto escreveu dezenove livros, entre eles Clara dos Anjos, obra póstuma, Cemitério dos Vivos, livro póstumo e inacabado, e seu mais famoso romance, Triste fim de Policarpo Quaresma, que em 1998 ganhou adaptação para o cinema. Policarpo Quaresma, um aposentado que dedica sua vida a estudar a cultura brasileira, é a representação do ufanismo nacional. Dentre suas ideias utópicas e ingênuas, destaca-se a sugestão às autoridades da substituição do português pelo tupi-guarani, que, segundo ele, era nossa verdadeira língua-mãe. O “triste fim” ao qual o título se refere revela o desfecho do personagem na narrativa: voluntário na Revolta da Armada, por discordar das injustiças praticadas contra os prisioneiros, é preso e condenado ao fuzilamento, ordem dada pelo seu ídolo, Marechal Floriano Peixoto. Policarpo Quaresma, nosso Dom Quixote tupiniquim, antes mesmo da morte física, morre espiritualmente, ao ver seu projeto de nação frustrado, descontentamento que Lima Barreto mostrou ao traçar o painel humano e social da época.

O movimento que traz à tona a obra literária de Lima Barreto é recente, visto que o escritor ficou muito tempo à sombra de seu contemporâneo, Machado de Assis, e também subjugado pelo estigma da loucura. Vítima de discriminação, silenciado em seu tempo pela alta cúpula da Academia Brasileira de Letras – à qual se candidatou por duas vezes, tendo desistido da terceira antes mesmo das eleições –, Lima Barreto entregava-se ao consumo de álcool, fator que lhe rendeu duas internações na Ala Pinel do Hospício Nacional. Vítima de um colapso cardíaco, Lima Barreto faleceu no dia 1 de novembro de 1922 e, felizmente, muitos de seus textos têm sido levados ao grande público, alcançando, ainda que tardiamente, a posição que sempre deveria ter ocupado na Literatura brasileira: a de grande escritor da língua portuguesa.

* Cartaz de divulgação do filme Policarpo Quaresma – Herói do Brasil.

Artigos Relacionados