Ampliando a noção de intertextualidade

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Mediante aos fatos circunstanciais que norteiam nosso cotidiano, constatamos a ocorrência de diversas situações, em especial a de presenciarmos pessoas proferindo algo já dito por outrem. Tal atitude não se restringe somente à fala, mas também à escrita, haja vista que ao lermos sobre um determinado assunto, este sempre se remete a uma expressão ou a um determinado fato, mostrando-se familiar à nossa compreensão. Diante disso, torna-se inegável que todo discurso se dá a partir das relações estabelecidas entre os diferentes contextos sociocomunicativos.

Procurando facilitar nosso entendimento acerca de como a intertextualidade se materializa, basta enfatizarmos sobre o caso das charges, que constantemente remetem a um assunto polêmico instaurado pelos acontecimentos que nutrem a vida em sociedade. Para que possamos “diagnosticar” a finalidade discursiva a qual o emissor se propõe, precisamos ativar as competências relacionadas ao conhecimento de mundo.

Partindo deste pressuposto, constatamos que quanto maior for o nosso conhecimento, mais possibilidades teremos de interpretar a mensagem atribuída por um determinado discurso, de modo a identificarmos o diálogo que este estabelece com os demais. E, para tal, ampliaremos um pouco mais a noção das diferentes intertextualidades que porventura se manifestem nos textos, podendo ser por citação, alusão, epígrafe, além da paródia e paráfrase. São elas:

* Epígrafe

Comumente, ao nos depararmos com trabalhos científicos, identificamos a presença da epígrafe. Esta se caracteriza pela citação de um pensamento, uma frase ou provérbio que esteja relacionado com o assunto referente ao trabalho apresentado, implicando na reflexão sobre a temática ora discutida. São exemplos desta:

Em todas as coisas o sucesso depende de uma preparação prévia, e sem tal preparação o falhanço é certo.
Confúcio

O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência.
Henry Ford

* Citação

Trata-se de uma transcrição do texto a que se faz referência, devendo esta estar sempre em destaque, seja por aspas, negrito ou itálico. Como podemos comprovar em:

Pela luz dos olhos teus

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Vinícius de Moraes

* Referência e alusão

Dentre as obras literárias, em especial do célebre Machado de Assis, há uma forte predominância deste tipo de intertextualidade, na qual ele, em sua obra “Dom Casmurro”, cita Otelo, personagem de Shakespeare, de modo a fazer com que o leitor analise o drama vivido pelo personagem Bentinho.

* Tradução

Também muito presente na Literatura, caracteriza-se numa espécie de recriação. Como bem representa o exemplo que segue:

Kennst du das Land, wo die Citronen blühn,
Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühn,
Kennst du es woh? – Dahin, dahin!
Möcht’ich... Ziehn.
Goethe

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Gonçalves Dias

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