Função referencial

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A função referencial apresenta algumas marcas gramaticais, entre elas o discurso em terceira pessoa e o emprego da ordem direta das frases

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Entre as seis funções da linguagem concebidas pelo linguista russo Roman Jackobson, a função referencial é a mais utilizada em nosso dia a dia. As funções são elementos da comunicação responsáveis por ditar o tom da conversa de acordo com a necessidade e com o contexto comunicacional no qual estamos inseridos.

A função referencial é a função da informação. Isso porque sua mensagem é centrada na necessidade de transmitir ao interlocutor dados da realidade de uma maneira direta e objetiva, evitando assim o discurso literário, presente em outras funções, como a função poética e a função emotiva. É correto afirmar que a função referencial está presente em praticamente todos os textos, visto que a maior finalidade de todo ato de comunicação é transmitir informação. Observe as principais características da função referencial:

► Nos textos em que prevalece a função referencial, a mensagem está centrada no referente, ou seja, naquilo de que se fala;

► Normalmente, são textos escritos na terceira pessoa (ele);

► Nos textos em que prevalece a função referencial, as frases são estruturadas na ordem direta, evitando assim inversões na estrutura sintática das orações que possam prejudicar o entendimento da mensagem.

Observe agora um exemplo de texto com a função referencial:

Texto I

A característica da oralidade radiofônica, então, seria aquela que propõe o diálogo com o ouvinte: a simplicidade, no sentido da escolha lexical; a concisão e coerência, que se traduzem em um texto curto, em linguagem coloquial e com organização direta; e o ritmo, marcado pelo locutor, que deve ser o mais natural (do diálogo). É esta organização que vai “reger” a veiculação da mensagem, seja ela interpretada ou de improviso, com objetivo de dar melodia à transmissão oral, dar emoção, personalidade ao relato de fato.

VELHO, A. P. M. A linguagem do rádio multimídia. Disponível em: www.bocc.ubi.pt. Acesso em: 27 fev. 2012.

Texto II

A dois passos do paraíso

(...) A Rádio Atividade leva até vocês

Mais um programa da séria série

Dedique uma canção a quem você ama”

Eu tenho aqui em minhas mãos uma carta

Uma carta d’uma ouvinte que nos escreve

E assina com o singelo pseudônimo de

Mariposa Apaixonada de Guadalupe”

Ela nos conta que no dia que seria

o dia mais feliz de sua vida

Arlindo Orlando, seu noivo

Um caminhoneiro conhecido da pequena e

Pacata cidade de Miracema do Norte

Fugiu, desapareceu, escafedeu-se

Oh! Arlindo Orlando volte

Onde quer que você se encontre

Volte para o seio de sua amada

Ela espera ver aquele caminhão voltando

De faróis baixos e para-choque duro (...)”.

BLITZ. Disponível em: http://letras.terra.com.br. Acesso em: 28 fev. 2012 (fragmento).

No primeiro texto, a função referencial é predominante e acontece através do estilo simples marcado pela interlocução com o receptor, elemento típico da comunicação radiofônica. Não há emprego da linguagem literária, que privilegia recursos expressivos como figuras de linguagem e conotações. No segundo texto, há um contraponto: nele encontramos elementos da linguagem literária que o afastam da função referencial da linguagem. Além disso, no texto II, a comunicação é dirigida a um ouvinte específico, outro fator que contraria a finalidade da comunicação centrada naquilo de que se fala.

A função referencial está presente nas redações escolares, especialmente nas dissertações, nas narrações não fictícias e nas descrições objetivas. Também é encontrada no discurso jornalístico, na correspondência comercial e no discurso científico. Finalizando, é importante ressaltar que é comum uma mensagem apresentar outras funções da linguagem, além da função referencial, contudo, uma função sempre será predominante sobre outra.

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